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Leia aqui um trecho de "fábio café verde", de Rafael de Toledo Pedroso:

 

A queda de um spray de pimenta seguida por dois jovens em fuga fez Leni levantar-se desnorteada após assalto semi-mortal, mas definitivamente assustador, e seu míope olhar percorreu o vazio cimento que deveria estar cheio: aonde foram parar os pertences de sua bolsa?

Certamente ela estava em um bairro considerado pela grande maioria da cidade como “muito excitante circunstancialmente”, mas Leni, com toda a ingenuidade de seus treze anos, nunca imaginou que a situação exemplificasse-se tão rapidamente… (“E ainda diante de meus olhos!”) Não restava muito para se considerar; ela estava sem dinheiro, perdida, com metade de seus pertences roubados pela máfia de ladrões psicologicamente desconfigurados. Não era a primeira vez que Leni se encontrava perdida e nem a primeira que suas desventuras a levavam a perder mais da metade de suas coisas, mas — pela primeira vez desde que já se considerava adulta, ou melhor, já havia entendido de forma precária e honesta seu lugar no mundo, Leni divagava com questões infanto-juvenis e efemeridades pré-adolescentes se encontrando naquele momento único do tempo a (re)questionar seu lugar no semi-habitável planeta terra.

E havia melhor hora? As circunstâncias eram definitivamente peculiares (“Um sinal!” diria sua mãe). Leni havia tomado o ônibus errado e descido na pior hora, confundindo mentalmente um estilo arquitetônico que utilizava como lembrete visual e em um palpite de uma cultura forjada no preconceito, ela nunca imaginou que um bairro tão ruim poderia ter prédios tão bonitos. Com suas certezas caindo água a baixo, ela foi rapidamente abordada por dois homens de entonação ébria e covardemente armados.

 

fábio café verde, de rafael de toledo pedroso

R$ 45,00Preço
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