Leia aqui um trecho de "nos tropeços da noite", de Nivaldo Alves Conceição:
Olhava os pés de palhaço, prestes a pisotear o desejo que às escuras seria realizado; o açúcar refinado rolando leve, dissolvendo-se pelas colinas escorregadias da garganta, descendo pelos fios finos do paladar gasto, cansado demais para salivar nas memórias do rolo de doces de esquina pobre.
Com o sorriso costumeiro pediu uma fatia rechonchuda de rocambole. Sentiu a maciez afundando-se ao tato dos seus dedos impuros. Sorriu, mas esse sorriso, era o sinal que dizia silenciosamente: Obrigado.
A doceira equilibrava-se em sua beleza discreta, tão tímida quanto o diálogo mudo de sorrisos, no qual, se comunicavam sem dificuldade fazia alguns anos. As palavras ao fundo de cada gesto não tinham os vibrados das cordas vocais; os sons aveludados do flerte, por trás de cada apalpadela sem toques, um tatear de folclore sem contato, a síndrome de mímicos falava através dos leves balançados do gestual, sequer eram resmungadas frases abafadas escapando de uma boca cheia, ocupada de sabores e desejos.
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