Leia aqui um poema de "o mundo não nos pertence", de V. G. Pinto:
RECEITA
Grafite, madeira, borracha e verniz
Ingredientes do ensopado primordial
Montagem mecânica produz um novo prato
Uma ferramenta de indestruição em massa.
Celulose, água, amido e alvejante
Sedimentam juntos as bases deste mundo
São nelas que se sustenta toda a existência
Deus e o universo antes da explosão.
Quando estou triste
Busco meu lápis e agarro meu papel
Vomito-evito minhas emoções na folha
Tempero-apelo com o sal das minhas lágrimas
Invoco-soco o que está entalado bem fundo
Até as palavras-desgraças secarem
Peço que meus sentimentos sequem com elas
E tento de novo se vier a falhar.
Finalmente, quando tudo está terminado
Guardo meus artefatos com cuidado
Agradeço a paciência do leitor
E imploro perdão pelas minhas escolhas.
o mundo não nos pertence, de v. g. pinto
V. G. Pinto nasceu em Maceió em 1996. Advogado de formação e atualmente estudante na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas, encontrou na literatura um meio de respirar através de tinta e papel. Sua escrita transita entre o lírico e a prosa, a metáfora e a antítese, a ironia defensiva e o melodrama explosivo. Escreve para revelar o que se oculta, incentivar o que pulsa e preservar o que merece permanecer. o mundo não nos pertence é seu livro de estreia.
