Leia aqui um trecho de "papo de amor", de João Pedro Ribeiro:
O amor é esse convite, essa convocação, para nos depararmos com um “jogo de espelhamento”, onde a partir do outro, seja no olhar, na fala, na experiência sexual, no carinho e em muitos outros detalhes da convivência e da relação, não sairemos ilesos de alguns encontros com nós mesmos.
No capítulo anterior, falamos aqui de algumas bússolas norteadoras, que estão muito alicerçadas a partir dos nossos registros e que nos direcionam para algumas possibilidades de estar com o outro e de estar com essa tal experimentação do amor. E é justamente essa bússola, que nunca será igual para ninguém e determina que a forma, o tom e a intensidade que esse amor será acessado, jamais será igual para cada um de nós.
Essas bússolas, carregam vivências que foram traçadas a partir de gênero, raça, cor, orientação sexual, status social, cultura, religião e muitos outros aspectos de estruturas sociais que compõem todo um funcionamento da nossa condição humana. E ao falarmos de amor, é necessário nos lembrarmos desses recortes sociais que são, de fato, determinantes (e isso não precisa ser lido como militância).
O amor que chegará (ou o que não chegará) para uma pessoa preta, por exemplo, estará determinado a partir de uma estrutura racista, bem como para pessoas pretas queers. Este amor jamais será igual, ao amor experimentado para uma pessoa branca hétero, ou queer.
Tento escrever aqui, a partir do meu lugar de fala, enquanto um homem branco cis gay, que experimenta o amor a partir deste lugar. Além das experiências pessoais, algumas leituras e outras prosas muito potentes, me ajudam a trazer pra cá a percepção de que a nossa sociedade foi alicerçada a partir de uma cultura machista e heteronormativa, muito também fundamentada em pregações religiosas. Apesar de estarmos falando aqui no passado, é nítido para nós todos, o quanto ainda vivemos resquícios e repercussões de todo esse alicerce promovido a partir de muito preconceito.
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