Leia aqui um poema de "plástico", de Juan Pinheiro:
Palavra
num assombro você
me fez de alvo
atacou e achou que
eu não era de nada.
mas eu sou poeta;
num contragolpe
te cortei com a palavra
faca.
plástico, de juan pinheiro
Juan Pinheiro é poeta, compositor e artista visual brasileiro, nascido e formado na Zona Norte do Rio de Janeiro — território que atravessa sua escrita não como cenário, mas como experiência viva: ruas, deslocamentos, tensões e afetos que moldam sua percepção do mundo.
Sua produção transita entre a poesia contemporânea e a experimentação urbana. Em seus textos, o cotidiano é filtrado por uma linguagem que oscila entre o lírico e o bruto, revelando uma insistência em permanecer sensível mesmo em ambientes que pedem endurecimento.
Como artista visual, desenvolve trabalhos no campo do abstrato, investigando formas, camadas e texturas — elementos que também atravessam sua poesia, onde a imagem não busca representar, mas tensionar e deslocar o olhar.
Sua escrita dialoga com tradições da poesia marginal e com influências da música e da arte moderna, construindo um universo em que corpo, cidade e linguagem se contaminam.
Plástico é seu livro de estreia.
