Leia aqui um poema de "5 horas", de Flora Soutello:
5h
São 3h e 30 da manhã
às 5h levanto pra trabalhar.
Acordo com o barulho do ponteiro do relógio
O barulho me dá angústia profunda
Penso que os relógios deveriam ser silenciosos
A minha cabeça faz tic tac tic tac tic tac
Ou serão apenas os ponteiros?
Neste exato momento a minha existência dói desde o mindinho do pé até o fio mais novo da minha cabeça
E às 5h preciso levantar
Sinto tua falta
e meus ossos ardem,
O meu estômago implora por matéria-prima nova e minha bexiga explode,
mas é insustentável a ideia de se mover.
Às 4h não consigo desligar a minha mente
A minha própria respiração me asfixia
Os olhos pesam toneladas
E o cheiro da planta que deixei morrer exala por todo o cômodo minúsculo,
Pútrida que nem eu,
Pequeno que nem a minha existência
O mundo não para pra mim
Às 5h preciso trabalhar.
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R$ 42,00Preço
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