top of page

Leia aqui um poema de "a cintura do dia", de Paloma Automare:

 

as linhas da companhia de energia

que rabiscam o céu de todas as cidades

ou de todas as minhas cidades

elas sempre foram pauta para os meus olhos

e ainda que eu seja amiga das perspectivas

nunca gostei de folhas pautadas

e mesmo sendo melhor amiga dos riscos

do traço, do negrume

eu não gosto das linhas pretas da companhia de energia que cortam o meu olhar

 

as linhas da companhia de energia cortam o céu

o céu que se entremeia nas folhas

o céu que faz contorno para os meninos

o céu que toca o seu corpo

que espalha areia na casa

que seca as roupas

 

as linhas da companhia de energia cortam o céu

nos apartam das aves altas

das aeronaves

do rebanho das nuvens intangíveis

dos sputniks

dos deuses preguiçosos

a cintura do dia, de paloma automare

R$ 55,00Preço
Quantidade
bottom of page