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Leia aqui um poema de "série de águas", de André Luís de Souza Lima:

 

O APOCALIPSE DE UM TAL JOÃO NINGUÉM

 

A rua nua, peremptório

marco de abismos

e jardins confusos

de arbustos mal dormidos.

Na paisagem, que o homem

habita em comunhão,

há o farol que aponta

e o farol que proclama;

e há o olhar lasso

de quem já não se enxerga

- a arquitetura dos cegos,

doce teimosia

das falsas esperanças

erguidas em sacrifício.

No intervalo das horas,

imersa em nuvens,

a flor desliza para se

prender ao vazio.

Cordeiros perfilam

para lamber finas

lâminas de pele.

Pequenos insetos,

incansáveis, erguem muros

para perpetuar novas preces

e retalhar as cidades,

alheios, à beira do infinito,

à estátua, in vitro, de um grito.

a fome de tudo, de josé messias xavier

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