Leia aqui um poema de "a(h)orta", de Natalia Negretti:
Lã, viva
Coloco a sua
lã verde
me cobre os braços
as costas
parte da miosótis
nossa
vossa
Dobro no fim,
numa ponta
caminho
Sentido
meu ombro,
das mãos
Preciso de um relógio
[Não qualquer um,
mas ainda não sei qual]
não porque é sempre um pulso
Quiçá
porque
os ponteiros de quase todos me assustam
os seus, não
Tenho de encontrar
o que cheira seu uso
sua sem hora
é que
bombeia
aqui
ao
mesmo
Tempo
em que busco
sentir
que sue você, agora,
que está toda
e qualquer hora.
a(h)orta, de natalia negretti
Natalia Negretti nasceu em São Paulo e é amalgamada à Taboa (Typha dominguensis), capim brejeiro conhecido pelo primeiro do nome composto de um município em que viveu, em bairros da divisa com a capital paulista, sua infância, adolescência e juventude. Parte da região metropolitana, Taboão da Serra foi a cidade em que viveu dos cinco aos vinte oito anos e que a fez, em seus retornos e partidas por longo período, observadora de distâncias, aproximações, singularidades, trânsitos, fronteiras, esquinas e caminhos. Antropóloga, é professora e pesquisadora. Com doutorado, mestrado e graduação em Ciências Sociais, tem pós-graduação lato sensu em Gerontologia e em Direitos Humanos, Memórias Coletivas e Resistências. Duas de suas paixões são também as maneiras pelas quais trabalha; a partir de trajetórias de vida e histórias. Com estas, eis um pulso amado que a impulsiona, no passado, no presente, no futuro e aqui: sua titi de ôro, quem apresentou e ensinou o apreço pelas palavras, histórias e memórias. Sua biografia, no formato que for, e este livro são abundantes dela, a Zê.
