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Leia aqui um poema de "a menor das astronaves", de Rafael Vilela:

 

supernova

 

, mas hoje eu flutuo

pelo espaço sideral

na menor das astronaves

 

não sei como vim parar aqui

mas sei que de todos os meus defeitos

ser eu mesmo era um dos mais graves

 

da vastidão do vácuo

eu conseguia ver tudo

asteróides inquietos

as manchas da Terra

talvez os anéis de Saturno?

 

meu coração pesava igual chumbo

porque de tudo que eu via

não conseguia identificar um futuro

 

seria mais conveniente

largar tudo que vejo à frente

pra recomeçar a vida

numa gigante gasosa?

 

eu passei horas ali

tentando por tudo

não ceder aos defeitos

enquanto encarava um cometa

lentamente penetrando

minha atmosfera sulfurosa

 

todos os cometas são passageiros?

será que nenhum algum dia se perguntou

 

e se eu ficasse?

 

conseguia ver minhas lágrimas

flutuando na gravidade zero

enquanto os soluços eram abafados

e eu abraçava pra manter bem perto

os joelhos do peito

 

na menor das astronaves

era tudo frio e lotado

as pessoas gritavam

mas ninguém se ouvia direito

 

eu me obriguei a respirar fundo

e me acalmar de qualquer jeito

 

talvez pra sempre fosse a minha sina

ser um homem enjaulado,

vivendo pra dentro

enclausurado no próprio pulsar?

 

a supernova agora dobrava a esquina

e eu me dei conta de que continuava na busca

de algum planeta em que eu pudesse pousar.

a menor das astronaves, de rafael vilela

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