Leia aqui um poema de "a paixão, um animal que habita", de Ana Karla Farias:
Pensei que se a vida fosse um filme do Kauffman
À maneira de Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Eu te apagaria
sem titubear ou pensar duas vezes.
E então, o som da vitrola tocando Wish you were here,
sobreposto ao som da gota do vinho
saindo devagar na taça
seria algo banal para mim.
Eu desconheceria algumas ruas de SP
por onde andamos juntos de mãos dadas
E, por isso, eu fabulei com meus botões
que a cidade fosse um pouco minha.
Devolveríamos os ingressos do Cine Sesc, Cine Bijou...
Passar pela rua São Carlos do Pinhal
já não me diria nada
não faria qualquer sentido.
Eu desaprenderia
o prazer de sentir a fricção da sua barba
a minha perna na sua cabeça,
sua boca no meu mamilo.
O céu devolveria o meu pedido mudo
de que, por favor, você goste de mim
como eu desejo você.
Mas aí, restariam
estes malditos poemas
que escrevi reinventando você
e os publiquei em uma antologia
como forma de suspender no tempo
aquilo que não termina.
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