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Leia aqui um trecho de "a sagração da matéria", de Sihan Felix:

 

Manuel Antônio saiu do mato arrastando os pés. Sentia o peso de cada légua nas juntas. O barro nos tornozelos já tinha secado, formando uma crosta cinza que repuxava os pelos da perna a cada passo. A terra ali exigia o seu tributo de cansaço. Manuel atravessava a densidade da Ilha, carregando no corpo o silêncio das pedras que pisara. Trazia na roupa aquele cheiro azedo de quem dormiu ao relento, uma mistura de suor frio com o sumo verde das plantas quebradas na travessia. Parou na orla, ofegante. O ar dali era diferente, era denso, carregado de uma maresia antiga, entrava pesado no pulmão e saía deixando um gosto de ferro e sal. Cuspiu no chão para limpar a boca e esperou o coração desacelerar, ouvindo o sangue bater nos ouvidos como um tambor abafado.

a sagração da matéria, de sihan felix

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