Leia aqui um poema de "a vida secreta de meus objetos domésticos", de Kleber Luis:
O PANO DE PRATO
sou o que limpa
o que ninguém assume.
apago migalhas
que contam histórias,
enxugo respingos
de pressa e descuido,
retiro do dia
o que você não quer guardar.
já sequei lágrimas,
mesmo você achando
que era só água da pia.
eu sei dos seus cansaços,
das horas em que você apoia
as duas mãos na bancada
antes de continuar.
não brilho,
não apareço,
não sou lembrado —
mas seguraria
seu mundo inteiro
se ele estivesse molhado demais
pra você carregar sozinho.
a vida secreta de meus objetos domésticos, de kleber luis
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