Leia aqui um poema de "a vida secreta de meus objetos domésticos", de Kleber Luis:
O PANO DE PRATO
sou o que limpa
o que ninguém assume.
apago migalhas
que contam histórias,
enxugo respingos
de pressa e descuido,
retiro do dia
o que você não quer guardar.
já sequei lágrimas,
mesmo você achando
que era só água da pia.
eu sei dos seus cansaços,
das horas em que você apoia
as duas mãos na bancada
antes de continuar.
não brilho,
não apareço,
não sou lembrado —
mas seguraria
seu mundo inteiro
se ele estivesse molhado demais
pra você carregar sozinho.
a vida secreta de meus objetos domésticos, de kleber luis
Kleber Luis Antônio Pinheiro nasceu em São Paulo, mas foi nos silêncios de Taquara que aprendeu a escutar a própria voz.
Educador social, poeta do cotidiano e homem de afetos profundos, encontra em Edna, sua esposa e maior inspiração, o porto onde a vida pousa, e nos seus seis filhos a delicadeza que o mundo insiste em esconder.
Sua escrita nasce das frestas: do que sobra nos cantos da casa, dos objetos que o acompanham em silêncio, das pequenas luzes que resistem mesmo nos dias difíceis. Kleber escreve como quem toca o mundo com cuidado — revelando que a vida não está nos grandes acontecimentos, mas na ternura que persiste, nos gestos que quase passam despercebidos, na respiração das coisas simples.
Em “A Vida Secreta de Meus Objetos Domésticos”, ele transforma cada objeto em testemunha, cada canto da casa em confissão, cada detalhe em revelação.
Sua poesia ilumina o que é íntimo, cotidiano e profundamente humano.


