Leia aqui um poema de "ainda é outono", de Paulo Soares:
AINDA É OUTONO
Todo outono
tem que outonar.
Outonar de manhã cedo, outonar
sem medo do pretérito...
que não precisa ser perfeito.
Todo outono
tem que outonar em mim, em nós, na terceira pessoa.
Outonar numa boa!
No presente, no futuro, na planta, no livro.
Outonar sempre
que for preciso.
Ainda é outono, bem-te-vi!
Ainda é outono, super-homem.
Ainda é outono na Tabela Periódica,
na equação de primeiro grau, no clima,
no relevo.
Ainda é outono nos poemas que escrevo...
nos poemas que escrevo.
ainda é outono, de paulo soares
Paulo Soares é um poeta do Cariri, região sul do Ceará. O autor começou sua produção literária na chamada “Sociedade dos Cordelistas ‘Mauditos’”, grupo de jovens cordelistas que buscaram ressignificar o folheto nordestino, principalmente combatendo os diversos preconceitos praticados dentro da literatura de cordel tradicional. A troca do “l” pelo “u” na palavra “mauditos” registrou um movimento vanguardista de rupturas. Após sua participação no grupo, com dois cordéis publicados, “O olho do observador” e “Objeto”, Paulo lançou, até aqui, quatro livros de poemas, que são: “Um tiro no coração da poesia” (2014), “A céu aberto” (2015), “Alguns Poemas” (2019) e “Mãomífero” (2021). Nessa sua quinta publicação literária, o poeta que transita por diversos estilos, atemporariamente, publica “Ainda é outono”, livro o qual debate temas sociais contundentes, tensos e universais. Desse modo, empoderado de uma visão irônica e de versos objetivos, rápidos, Paulo Soares é um (a)típico representante da literatura contemporânea, aquela que escapa, muitas vezes, das páginas dos livros para os quadros, para as paredes das ruas, para a instantaneidade das redes sociais e/ou insociais.


