Leia aqui um trecho de "amor e vertigem II", de Brida Cezar:
Alice, seria isto uma trégua?
As noites em que dormiam abraçados, as noites em que não dormiam conversando e contando histórias, as noites em que viajavam um pelo corpo do outro, as noites em que se perdiam nos labirintos infinitos do amor. Tratar-se-ia de uma trégua?
Você sabia que o queria, e queria ainda mais o desejo dele por você, desejo este capaz de lhe acender e lhe fazer queimar por horas intermináveis de gozo e prazer. O suor dele escorria sobre a cama e sobre você, ele gemia, suspirava, entrava e saía com força, como se fosse sempre a última vez que se afundaria em seu útero.
Ele te devorava, te mordia, te apertava, te beijava e no final segurava em tuas mãos para dormir. Ele te ouvia, te olhava, te pegava no colo, te aninhava no peito dele e colocava uma música da Elis Regina para tocar depois de transarem até a exaustão. O cheiro de sexo preenchia o quarto escuro iluminado apenas pelo pavio de uma vela, a vela consumia a si própria, um pouco mais a cada instante, tal como o amor.
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