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Leia aqui um poema de "amores platônicos para corações de plástico", de Bruno Andrade:

 

UM BOBO

 

Correndo

atrás de nuvens

Guardando

vento em garrafas

Pescando

peixinhos de plástico

Plantando

sementes invisíveis

Regando com intenso querer

pra que se faça

Nascer

um pé de sonho de verdade.

amores platônicos para corações de plástico, de bruno andrade

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  • Natural de Montes Claros, Norte de Minas Gerais, aos 46 anos, João Rodrigues Santos Júnior traz na alma a cadência dos sertões, dos causos contados ao pé da calçada e das madrugadas embaladas por violão. No universo musical, porém, João assina o pseudônimo de Bruno Andrade – compositor, músico, arte-educador e produtor cultural que há anos constrói sua trajetória entre palcos, salas de aula, estúdios e encontros afetivos com a cultura popular. Se na música Bruno Andrade compõe melodias que se abrem em refrões cantáveis, em “Amores Platônicos para Corações de Plástico” é João Rodrigues quem toma a palavra e mergulha num território ainda mais íntimo. A mesma sensibilidade que cria canções agora se desdobra em versos que não precisam caber em quatro minutos, sem a obrigação do refrão, sem o limite do compasso. A canção e o poema se cruzam no mesmo coração: um nasce do outro, mas o poema avança por frestas mais profundas. Aqui, o autor não se limita à lírica romântica: seus textos adentram as zonas mais turvas e belas da psique humana, atravessando o cotidiano com seus pequenos abismos e dilemas existenciais. Fala de amor e de desencontro, de relacionamentos e carências, de volúpia e solidão, mas sempre com o olhar enraizado nos certames regionais norte-mineiros – o sotaque, a poeira na janela, o boteco de bairro, o ônibus lotado, as histórias de quem vive “no interior” do país e, muitas vezes, também no interior de si. Sua poesia observa o mundo como quem observa a vizinhança: de perto, com afeto, mas sem idealizações. “Amores Platônicos para Corações de Plástico” não nasce sozinho. Ele é, ao mesmo tempo, ponto de partida e ponto de chegada: a primeira publicação de uma longa travessia poética já gestada em silêncio. Este livro reúne e anuncia a miscelânea de sete obras ainda não lançadas, que habitam o imaginário do autor como constelações em espera.

    A publicação deste primeiro volume é, portanto, mais do que um livro lançado: é a materialização de um caminho que antes existia apenas em rascunhos, gavetas, cadernos amarelados e canções guardadas. É o gesto de dignificar a própria palavra, de reconhecer que a poesia – essa irmã menos óbvia da música – também merece palco, edição e encontro com o leitor. Com “Amores Platônicos para Corações de Plástico”, João Rodrigues Santos Júnior, o Bruno Andrade dos palcos e projetos culturais, abre oficialmente seu percurso como autor de poemas. Que este seja o primeiro passo de uma estrada longa, onde a voz do compositor e a do poeta sigam caminhando juntas, traduzindo em verso e melodia as contradições de ser humano no sertão, no mundo e dentro de si.

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