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Leia aqui um poema de "anatomia da fênix: reflexões em versos", de Najara Dourado:

 

OUTSIDER

 

Nascida nas frestas

dos muros, calçadas rachadas e pedras.

Erva daninha? É mato!

Não se compra, deve ser arrancada.

Não pede convite nem entrada.

Nasce onde decide e ali se destaca.

 

A marginal nascida em solo hostil

rebeldemente floresce.

Seus pompons ganham o céu

feito neve.

 

Não é ornamental.

É comestível e medicinal,

até o solo desnutrido restabelece.

É presença vital,

mesmo quando ninguém reconhece.

 

Seu valor é conquistado.

Dente-de-leão:

a outsider botânica,

rainha do mato!

 

Já o Lithops,

camuflada sobre as pedras do deserto,

teve a ideia brilhante de fingir-se pedra

para enganar a morte.

Nossa outsider invisível:

por fora, pedra; por dentro, brasa.

 

anatomia da fênix: reflexões em versos, de najara dourado

R$ 55,00Preço
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