Leia aqui um poema de "anatomia da fênix: reflexões em versos", de Najara Dourado:
OUTSIDER
Nascida nas frestas
dos muros, calçadas rachadas e pedras.
Erva daninha? É mato!
Não se compra, deve ser arrancada.
Não pede convite nem entrada.
Nasce onde decide e ali se destaca.
A marginal nascida em solo hostil
rebeldemente floresce.
Seus pompons ganham o céu
feito neve.
Não é ornamental.
É comestível e medicinal,
até o solo desnutrido restabelece.
É presença vital,
mesmo quando ninguém reconhece.
Seu valor é conquistado.
Dente-de-leão:
a outsider botânica,
rainha do mato!
Já o Lithops,
camuflada sobre as pedras do deserto,
teve a ideia brilhante de fingir-se pedra
para enganar a morte.
Nossa outsider invisível:
por fora, pedra; por dentro, brasa.
anatomia da fênix: reflexões em versos, de najara dourado
Nascida em Irecê, no Sertão da Bahia, Najara Dourado é licenciada em História e bacharel em Direito pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Entre a advogada e a professora, habita uma escritora em tempo integral, lutadora amadora de Muay Thai e apaixonada pela natureza. Sua escrita nasce da urgência de uma mente que pensa em narrativa e traduz em símbolo e linguagem cada experiência vivida.


