Leia aqui um poema de "ao ovo que carrega todas as fêmeas", de Nara Dourado:
Estava inundada. Avalanches de água drenavam o corpo, que, dentro, gemia em silêncio.
Com a sexualidade sempre ausente, experimentou pela primeira vez o cio.
Metamorfoseada por uma gata que um dia antes miava em desespero.
Bicho ansiando por falo.
Mal sabia ela que não se tratava de si. Dera início ao que não sabia.
A terra estava com fome. Clamava por devorar sementes.
Tudo que fecunda começa pelo cio.
ao ovo que carrega todas as fêmeas, de nara dourado
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