Leia aqui um trecho de "as letras que deixei partir", de Andreia Santos:
O corpo, a cabeça e a alma estavam tão cansados que eu não sentia perspectiva de que fosse melhorar. Era uma segunda-feira à tarde. Frio. Muito frio. Não lembro se o tempo estava chuvoso, mas me recordo que tudo parecia cinza e tenso. Emotiva e sem conseguir traduzir o que estava sentindo, mas eu sentia e sentia muito.
A vida com sua rotina enfadonha continuaria. Trabalho, casa, vida social, etc. Apesar de estar cansada deveria encarar aquela situação. Como humana, para sobreviver, precisava me alimentar. No entanto, a única coisa que eu conseguia engolir era o choro. Com um nó na garganta, não havia feito nenhuma refeição, apenas tomado um café amargo- eu sempre brincava que tomava café sem açúcar, pois doce era a vida-. No entanto, a vida é uma grande surpresa. Estava sentindo todo o amargo e não havia açúcar que amenizasse aquele gosto intragável. O estômago embrulhado. O corpo inteiro doía e a alma estava estilhaçada. Os olhos turvos, mal conseguiam enxergar o que estava perto, imagine ao longe. As lágrimas caiam em avalanche. Havia momentos que fluíam até mesmo sem senti-las. Eu não mais as controlava, elas me tomavam por inteiro. Mesmo eu estando pela metade.
top of page
R$ 45,00Preço
bottom of page
