Leia aqui um trecho de "assistolia", de Caroline Milhomem:
Assistolia
Batalha contra o tempo
Mas como
se ele é uma ilusão?
E o estar aqui,
Não estar não
é uma metáfora ingrata
Tentativa frustrada
De permanecer são.
E eu me levo,
Percorro o mundo
Na busca de uma razão
Para o transitório e efêmero
Sentimento de frustração
Que tempera a minh’alma
E que enfrento toda hora
Antes que pare meu coração.
Alguém grita na memória
“da vida não se leva nada não!”
Mas como pudera,
Explicar uma história
Olhando apenas o final?
Se há caminho, há bagagem
Se há estrada, há contramão,
Por isso, ei de procurar
Em todo canto uma explicação
Do que me assola,
para que a vida
Em seu curso natural
Não seja uma condição
Meramente passiva,
programada
Sem motivo, sem solução.
Mergulho fundo no sentimento
Antes que pare
sem aviso prévio
Meu coração.
assistolia, de caroline milhomem
Caroline Rodrigues Milhomem Souto nasceu no Estado do Tocantins, na singela cidade de Formoso do Araguaia, que carrega a essência do planalto
central brasileiro, misturada aos tons ancestrais da Ilha do Bananal. Ainda na infância, experienciou muitas viagens, lapidando histórias nas diversas cidades em que viveu pelo cerrado afora. Assim, imersa num cenário de descobertas e cores, o contato com a literatura veio muito cedo, tendo criado versos desde a mais tenra idade. Todavia, apesar de se reconhecer como uma romântica inveterada, seguiu o caminho das ciências da saúde e formou-se em Farmácia (2013), firmando, assim, um novo elo da sua identidade, que oscila entre a emoção franca e a razão bruta. Atualmente radicada em Belo Horizonte, estuda o décimo período de Medicina e entre a ciência e o impulso criativo, segue buscando na escrita um lugar de existência. Como uma leitora voraz e inquieta dos grandes autores, escreve como quem tenta organizar o caos — ou, ao menos, nomeá-lo.
