Leia aqui um poema de "astros por entre as folhagens", de Charles Sans:
EU SOU TODO MUNDO
Todas as coisas me são,
olho para pedra –
sou uma pedra:
minha dureza,
minha resistência
na forma
como vejo o novo.
Olho para o céu –
sou o céu:
a eternidade,
a existência
através dos corpos
que adquiro.
Olho para a árvore –
sou uma árvore:
os pés
adentrando a terra,
as mãos, o alto
para alcançar o sol.
Olho para o outro –
sou o outro:
a feiura,
o egoísmo
minha face estampada.
(quero negar e punir)
Olho para mim
e todas as coisas me são.
Assim resisto,
reexisto como fera
de mil faces -
no conflito.
astros por entre as folhagens, de charles sans
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