Leia aqui um poema de "astros por entre as folhagens", de Charles Sans:
EU SOU TODO MUNDO
Todas as coisas me são,
olho para pedra –
sou uma pedra:
minha dureza,
minha resistência
na forma
como vejo o novo.
Olho para o céu –
sou o céu:
a eternidade,
a existência
através dos corpos
que adquiro.
Olho para a árvore –
sou uma árvore:
os pés
adentrando a terra,
as mãos, o alto
para alcançar o sol.
Olho para o outro –
sou o outro:
a feiura,
o egoísmo
minha face estampada.
(quero negar e punir)
Olho para mim
e todas as coisas me são.
Assim resisto,
reexisto como fera
de mil faces -
no conflito.
astros por entre as folhagens, de charles sans
Charles Sans (Cartre Sans) é poeta, músico e artista multidisciplinar. Nascido em São Paulo, viveu a infância em Andorinha (BA) e está radicado em Feira de Santana, Bahia. Licenciado em Música Popular Brasileira pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), desenvolve há mais de quinze anos uma produção que transita entre poesia, música, ilustração e pensamento simbólico.
Sua obra poética integra antologias e revistas literárias desde 2010, com publicações por editoras independentes. Como ilustrador, assina capas de livros e discos, consolidando uma linguagem visual marcada pelo místico e pelo imaginário alquímico. Na música, é também criador do projeto Sons de Mercúrio, ativo desde 2017, cuja trajetória dialoga diretamente com sua escrita poética, compartilhando temas como tempo, desejo e transcendência.
