Leia aqui um trecho de "até o dia em que você for embora", de Bruno Bravo:
Quando cheguei para buscá-la, com um certo atraso, quase não a reconheci. Passou por mim sem que eu percebesse, falando sozinha no meio dos pais e das mães, seus tênis pisando agora, indiferentes, as poças de lama, no terreno baldio ao lado da escola. Vasculhou, angustiada, um arbusto atrás de mim e voltou com as duas mãos em forma de cabana de refugiados, num ato de ternura brutal e comovente. Vamos? Pediu, sem me olhar, com a fronte encharcada, se precipitando na minha frente, e querendo chegar logo em casa.
A borboleta
até o dia em que você for embora, de bruno bravo
Eu nasci em Recife em 1976. Morei em Olinda durante vinte e cinco anos. Trabalhei como fotojornalista em publicações locais e mudei para o Rio de Janeiro em 2002. Atualmente moro em Brasília e ao longo dos anos publiquei textos e fotos em diversas ocasiões.
Em 2023, o PRÊMIO SELO OFF FLIP de Contos publicou Olinda entre os quatro vencedores daquela edição. No mesmo ano, o texto Atirar em ratos ficou entre os destaques do SELO OFF FLIP Nordestes de Crônicas.
Eu costumo misturar recursos do conto e da crônica, indefinidamente e sem critério aparente. É culpa minha. Faço isso porque é o meu jeito de respeitar a dimensão das sensações que tenho, diante de acontecimentos que, para os outros, podem parecer inofensivos.
