Leia aqui um trecho de "barriga e lombriga", de Vagner Meira Cotrim:
Muito diferente do parasita, a história que eu pretendo contar, é uma história simples e de uma amizade sem tamanho, e quem já teve um grande amigo sabe exatamente o que eu sinto quando falo deste amigo que, de parasita, só existia a vontade de ficar grudado para sempre e nunca mais soltar. Tortuosos são os caminhos que formam uma grande amizade e vou começar logo contando sem mais delongas, porque amizade verdadeira não se define, se tem, e pronto!
Meu nome? Meu nome não importa, nunca me chamaram pelo nome mesmo! Eu não era um menino gordinho, quem me dera, mas tinha o que chamam por aqui de “barriga d’água”. Essa particularidade me rendeu um apelido: “Barriga”. Era assim que todos me chamavam, com o tempo até mesmo parentes e professores me chamavam assim, estavam tão acostumados a me chamar de Barriga que acredito que muitos nem sabiam o meu verdadeiro nome. Meu professor de português comentou uma vez sobre um tal de Shakespeare, que dizia que a rosa mesmo se tivesse outro nome ainda assim teria o mesmo perfume, e que o nome de nada importava. É fato que temos que dar nome as coisas, assim como Adão fez no paraíso para identificar cada criatura. O que acontece é que, meu nome verdadeiro nunca disse algo sobre mim, mas meu apelido, sim.
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