Leia aqui um poema de "borborigmos", de Diogo Amorim:
carnaval / 2025
entre o hedonismo e a FOMO
a alegria e a exaustão o suor e a cerveja
sob a quente umidade dos céus
meus estilhaços eram mistura de grãos de sal com purpurina
o azul governa soberano
o horizonte
distante e perto
o carnaval é o desejo das eras
amalgamadas
carnaval, monumento aos vivos um peixe abissal
emerge na Guanabara
se eu pudesse não ser um eu seria o mundo inteiro se eu tivesse que ser eu eu seria todos nós
Bésame Mucho, Sereias da Zona do Mangue
em Fogo e Paixão
Não-Monogamia é Gostoso Demais
foi carnaval e
como eu fui feliz, fiz tudo que o diabo quis fiz tudo que o Di- ogo gosta
tenho um coração
que se amarra à maresia e muito facilmente
a rapazes de São Paulo
a vida presta
porque os dias se iluminam nessas alegrias
na medida em que um dia como sabem
todos nós vamos morrer.
borborigmos, de diogo amorim
Nascido no Rio de Janeiro em 2000, Diogo Amorim Valente Cardoso, ou simplesmente Djiogo, é poeta, ativista e advogado (UFRJ). Sua pesquisa artística parte da linguagem como dispositivo de desprogramação dos desejos e como campo de invenção do corpo, interrogando morte, erotismo, dissidência sexual, subjetividades marginais e as fissuras das desigualdades urbanas e raciais que atravessam o Rio de Janeiro. Desde 2022 integra a revista Fazia Poesia e mantém o perfil “azulgelatina”, onde experimenta a poesia como gesto visual, político e sensorial. Publicou “Animal” na Revista Cult (abril/2025) e “Silêncio Universal” na Contagem Literária (2022), além de integrar com o poema “Olho diz”, em 2025, a antologia Deixa o Amor Florescer (A Arte da Palavra), dedicada a autores LGBTI+. Também é letrista, atuando na escrita das composições do próximo EP do cantor Gustavo Manoel. No Medium (diogo.amorim), desenvolve, desde 2019, um percurso em que linguagem e mundo se friccionam como matéria para imaginar novas formas de existir.


