Leia aqui um poema de "cacofonia", de André M. Penna-Firme:
porta fechada, rua do russel
A porta fechada
perdição
um ensaio inútil
flutua
o demônio na rua
no meio do redemunho
eu-rascunho
rasgado
desde que você fechou a porta
flutuo no asfalto
Ísis
espalhado desmembrado
catorze dezesseis
quarenta e dois pedaços
era seu destino
você disse
me reencontrar
você disse
recolar os membros
eu disse
espalhados
mas você, Ísis
não correu atrás
e ainda teve a coragem
de juntar os restos
da geladeira
assemblagem tosca cortecola
e dizer:
eis osíris
dizer o nome
tua magia
desde que você fechou a porta
flutuo no asfalto
canoa sem
rumo
estive
à deriva
do nilo ao estige
espalhado
olha que zona, Ísis
a porta fechada
flutuo
osíris rei
do mundo dos mortos
eu me remonto
sem teu esforço
agora
juntarei meus cacos
no caminho de volta
e você vai ver
quanto valiam esses passos.
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