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Leia aqui um poema de "de quando fui tormenta", de Nando Castro:

 

SECO

 

Nada mais parece florescer por aqui

Nada mais parece mudar a palidez

desse bege constante que se atesta em mim

Eu tô tão sem vida

Não há mais brilho em mim

E em nada que eu faço

Só se vê poeira

Não semeio sonhos

Tampouco flores

Meu chão é duro e nada nele prospera

Tudo agoniza e desespera

Eu tô tão seco

Amargo

Quebrado

Rachado

Árido

Desértico

Tudo em mim morre

Ou nem nasce, se nasce logo morre

Nada em mim dura

E tudo simplesmente passa

Eu gero escassez

Eu não abundo

Tudo em mim dura bem pouco

Nem tristeza, nem felicidade

Tudo passa bem longe de mim

Porque aqui não se tem vida

Eu to tão seco

Eu sou infértil

Não cativo o cultivo

Nem desejo de assentamento, eu tô sem teto

Não sou morada de ninguém,

Quem me frequenta, logo me deixa

Não há vida restante

Quem tentou, sumiu

Não há quem se estabeleça

Sou inóspito

Eu tô de passagem

Não sei se volto

Não há jeito possível de restaurar essa paisagem

Já passei por ciclos diversos

Poucas coisas mudaram por aqui

Não vejo sinais breve de uma chuva

Nada que pareça humanizar essa minha existência

Oásis.

Nada

Nada que me faça reorganizar os olhares e as perspectivas

Sigo sem rumo

Ou melhor, parado

Sinto o peso dos anos nas costas e nos calcanhares

Tenho sede e antes fosse de água

de quando fui tormenta, de nando castro

R$ 55,00Preço
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  • Nando Castro, 44 ANOS, Nascido na cidade do Rio de Janeiro é autor, poeta e gestor de projetos com carreira consolidada há mais de 10 anos na indústria de petróleo e gás.

    Formado em gestão e com vivência internacional na cidade de Boston – MA, USA, desenvolveu trajetória marcada por liderança, estratégia e execução de projetos complexos. Paralelamente, construiu uma sólida produção literária que transita entre o real e o poético, explorando temas como memória, amor e autoconhecimento.

    Em 2021, lançou seu romance de estreia, Tudo que a vida quis contar sobre elas, e agora apresenta De Quando Fui Tormenta, uma obra que mistura lirismo, confissão e resiliência — um mergulho nas dores e nos renascimentos que moldam o ser humano.

    Entre o mundo corporativo e o literário, Nando transita com naturalidade, unindo razão e emoção, técnica e arte. Sua escrita é o contraponto sensível de uma vida dedicada tanto à precisão dos números quanto à imprecisão das emoções.

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