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Leia aqui um trecho de "debaixo do tapete", de Yana Campos:

 

A noite quando o dorso da flor se vira para o oeste sinto o vento odioso de uma cidade medieval na Dordonha. A cidade onde perdi o grande amor da minha vida, não aquele que conheci, mas aquele que perdi no parto da terra. A terra de cem em cem anos dá à luz aos homens, a uns, não conseguimos sustentar, perdido nos movimentos de época, como o feminismo, o comunismo, o nazismo. Outros, se perdem para se reencontrar, mas eu, ao mesmo tempo perdido e a flor, perdi. O homem que cuidava dela todas as manhãs imaginando o parto, de partida, ia de encontro ao sublime, de encontro ao sublime com ela. Flor e homem, espinhos e espinha, Dordonha, um lugar amaldiçoado onde nem os trens se demoram. Conheceu um homem mau, não era o mesmo do jardim idílico, um homem que ao assumir um compromisso perverso arrasou tudo aquilo que o mundo vinha a cem anos concebendo.

debaixo do tapete, de yana campos

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  • Yana tem íntima relação com a África, França e com as estrelas. Quando tinha dezoito anos disseram que o brilho das estrelas é em sua maioria o de estrelas mortas no céu. Isso longe de ser uma descoberta frustrante, foi algo instigante: Como algo aparentemente extinto pode ainda assim brilhar? Seu primeiro poema foi recitado quando tinha quatro anos para sua mãe.

    Mais tarde foi descoberta pelo poeta Jorge Salomão e passou a recitar no bairro de Santa Teresa, no Rio. Se as estrelas mortas podem brilhar, também as histórias fossilizadas no coração podem contar novas histórias.

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