Leia aqui um trecho de "demônios que nos falam ao ouvido", de Artenísio Teixeira:
Uma brisa fria que entrava pela janela da sala trouxe a consciência de Damião de volta para a sala de estar de sua casa. Novamente, ele se via encarando o teto. Após a memória ir embora, ele conseguiu entender o que mudou naquele dia. A saudade se materializou dentro dele e mudou tudo para sempre. Era sempre a ausência de alguém. Damião sabia muito bem que nada o derrubava mais do que a falta que alguém fazia. Isso era um horror, minava sua autoestima. Se sentia um homem fraco e codependente. Nada dono de si. E quando pensava sobre o ritual, pouco fazia sentido. Por que isolar-se, se nada o magoava mais do que estar sozinho? Qual era o conforto em afastar as pessoas e dizer que estava sempre tudo bem mesmo quando não estava?
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