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Leia aqui um poema de "doce dos ossos", de Ingra Silvestre:

 

descanso

 

no meio da noite

                                                 longa

tive um sonho

troquei favores

com Asopo

levei água de rio

para uma família inteira

 

sobrevivo

enganando a morte

por um tempo

e no esgotamento

acabo tensa

de mãos cheias

de barro

 

acordo

no peso e carrego

 

não o peso de Sísifo

onde a rocha é sua casa

e pela ladeira cem vezes

recomeça

 

mas o peso do pobre

que quando descansa

carrega pedra

doce dos ossos, de ingra silvestre

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