Leia aqui um poema de "ecolálicas", de Edilberto Silva:
GLOSSOLALIA
língua estranha esta
será a língua dos anjos
esta língua estranha em que canto?
de anjo não quero
nem asa
nem fala
minha fala é a oração
de uma língua queimada
ecolálica,
minha fala é a glossolalia
daqueles que foram desumanizados
pelos manuais de psiquiatria
truncada,
por frestas entre silêncios se arrasta
tateia, desajeitada, um grunhido
gemido inefável?
verbo aleijado
discurso implodido
estranha língua
esta
ecolálicas, de edilberto silva
Edilberto Alves da Silva é poeta, defensor público federal e pesquisador. Autista, é pai de dois meninos, um deles também autista. Atua na Defensoria Pública da União, em Teresina (PI), onde reside.
Criado em Altos (PI), guarda memórias dos quintais sombreados, das plantas e das frutas colhidas no pé, das rezas, das farinhadas e da sabedoria dos avós. A partir de um olhar neurodivergente, essas imagens, somadas ao interesse em botânica e às leituras feitas em cima das mangueiras, atravessam sua escrita.
Ecolálicas é seu livro de estreia na poesia.
Instagram: @edilbertoasilva


