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Leia aqui um poema de "entre o que se toca e o que se guarda", de Samara Fernandes:

 

Manifesto silencioso

 

Aprendi cedo que nem toda presença é bem vinda

 e que existir demais pode custar caro.

 

Houve coisas que fiz sem nomear.

Perguntas que engoli antes mesmo de formular.

Aprendi a ler o ambiente antes de ocupar o espaço,

com medo que ele me engolisse antes das palavras.

 

Não era ausência.

Era economia.

 

O silêncio tinha sua função.

Protegia.

Organizava.

Permitia atravessar.

 

Eu não perguntava o essencial,

perguntava o possível.

Me limitava para caber.

Não buscava sentido, 

buscava continuidade.

 

e foi assim que escrevi, mesmo quando 

escrever parecia excessivo

[ agressivo

e vomitar essas palavras foi minha salvação.

 

O manifesto nasce aqui, no momento em que 

não foi mais possível negociar tudo

e seguir me exigia reorganizar a própria presença.

Uma recusa de desaparecer.

entre o que se toca e o que se guarda, de samara fernandes

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  • Não sei exatamente quando comecei seguir esse caminho, mas sei que ele foi sendo trilhado com olhos atentos e coração aberto. Sou Samara Fernandes, cearense, escrevivente, professora de História e noiva de uma mulher grandona. Tenho 26 anos e sempre acreditei que as palavras têm poder de transformar, e talvez por isso eu nunca tenha deixado de escrever, ensinar e escutar.

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