Leia aqui um poema de "exausto coração esbraseado", de Lucilene Canilha Ribeiro:
Eu sou vermelha,
tingida de urucum e seiva de pau-brasil,
da cor do lobo guará.
O sangue primitivo corre dentro e fora de meu corpo.
Tenho a cor da argila em toda a extensão de minha pele,
que é também extensão de minhas ideias,
que é também extensão de minhas paixões.
Ergo minhas bandeiras com punhos febris,
meus olhos vibram em protesto e pulsação.
Carrego cóleras impossíveis de acalmar.
Quando deitarem meu corpo por terra,
ela se tornará vermelha e ferverá um outro ser,
nascido em raiz profunda,
revolucionário e vermelho.
exausto coração esbraseado, de lucilene canilha ribeiro
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