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Leia aqui um poema de "extra vagante...", de Isabel Sougarret (Zirrara):

 

Neonicho Humanotário

 

Homo sapiens?

Ou Vírus planetarium?

Megalomania pandêmica

sem rumo, freio ou foz...

Letargia anti-ato

de contágio cibernético

Atmosfera vestida

de um nevoeiro antiético

Rasteja a raça humana

Arrasta suas carcaças

Sangra a nova era

Futuras rochas hemácias...

 

Lavam-se as mãos

antes da "salvação"

Todo tipo de gente

que anda por aí contente

Comemora, a toda hora,

o gol, o golpe, a esmola...

Como se não fosse parte,

produto da mesma escola!

Carbono endurecido

Mercado agradecido

E a chuva enfurecida

retorna em enxurrada!

Raio solar rasga a pele

numa única abocanhada!

Nem rosa, nem azul

Enxoval do fim do mundo

Torpedos de O2 nos berços

Máscaras nos bebês

No leite,

vestígios transgênicos

No choro,

arrependimento

Na luz,

nenhum fim de túnel...

Brancão em desmaiada

Insolação continuada

Ebulição poética

Já era ou nunca foi?

 

Queimadura exposta

aos olhos de quem não gosta

Tormenta sangrenta sonora

nos ouvidos de quem ignora

Não é nada além do agora

É só a fervura das horas!

Ficção em tempo real

na pele de quem sente

E a censura, sorrateira,

aconselha e consente:

“Nenhuma palavra cortante!”

“Pode ser repugnante!”

 

Enquanto a febre não vem,

desconhece-se a doença

Ao mantra dopante das crenças

Aos pingos diários dos medos...

Enquanto há esperança,

o verde escorre entre os dedos

Até que desertos se formem

nas palmas das nossas mãos...

Não é nada além do óbvio

Só o fim em formação...

Até que dunas de areia

cubram as ruínas dos anos

Tão suaves quanto as cobertas

de insondáveis sonos humanos…

extra vagante..., de isabel sougarret (zirrara)

R$ 55,00Preço
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