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Leia aqui um poema de "fruto do teu ventre", de Amanda Cardinalli:

 

Espelhos

 

Teus olhos me fitam e me veem filha

Eu olho teus olhos e te vejo mãe

Mas quando vejo meus olhos no espelho

Me vejo menos filha

Aos poucos me torno mãe

 

Teus olhos me fitam: filha

Porque sob seus olhos é assim que sou

Por que quando me olho não vejo

Nem a sombra do que passou?

 

Nossos olhares se perdem

Em um caminho que você já dominou

Quero segurar sua mão, mas vejo

A pequena mão que meu dedo entrelaçou

 

Te busco, presa ao futuro incerto

Carregando o filho que gero

Seus olhos não podem guiar a filha

Porque filha já não sou

 

Te vejo ao longe, vitoriosa

Pelo caminho que você já andou

Caminho, assustada e curiosa

Pelas trilhas que você trilhou

 

Chamo seu nome: “mãe!”

Minha boca pronuncia “filho”

Como posso chamar pela mãe

Se sou eu quem carrego o filho?

 

Sua sombra me invade, e sei

Que ela sempre me guiará

Ainda que a vida faça dela mãe

Sua filha sempre será

 

Continuo, humilde, seu legado

Incerta do que virá

A única certeza que tenho nesse reinado

É que em você ele será inspirado

fruto do teu ventre, de amanda cardinalli

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