Leia aqui um poema de "grão", de Gilberto Gonsales:
Grão
Se num descompasso me perdera de mim mesmo
Não vou me enveredar sozinho nesse mar a esmo
Tenho medo de encontrar o que de mim não conheço
Ou a porção de mim por qual não tenho apreço
Pois se me encontrar por todo, não me reconheço
E de pensar que é só o começo...
E nesse mar que mora em mim
Um passeio na imensidão sem fim
Que é maior que terra firme
Que é carne, corpo e estirpe
É um oceano incerto em riste.
Um grão de mim colhe vida
Tempestades e maremotos
Depois se espraia em águas calmas.
Um grão de mim é fogo, terra e ar
Terremotos e ventanias
Cospe raivas e marimbondos
E assenta os pés no chão firme.
Um grão de mim encontra outros grãos
No começo ama e festeja
Depois se cala e se vela
Um grão de mim sente inveja
Se espalha e se revela
Um grão de mim.
grão, de gilberto gonsales
Gilberto Gonsales, é poeta, compositor e professor de Geografia formado pela Unesp de Rio Claro-SP. Paulistano, atualmente reside na baixada santista, onde leciona na rede estadual em Peruíbe e na rede municipal da cidade de Itanhaém. Atuou em coletivos populares contribuindo com a realização de diversos eventos culturais independentes e saraus, dedicando-se atualmente à composição de canções, poesias e declamações.
Teve dois de seus poemas publicados em livros de coletâneas, sendo eles, o poema “Te ver ir de bicicleta” no livro Antologia Poética Mais Poesia e Amor de 2022 pelo Fomento Literário, e o poema “Rego” no livro Poetize 2023 pela editora Vivara.
Em 2025 publicou o livro de poesias eróticas Com a boca entreaberta, pela editora TAUP com o pseudônimo de Amaranto Dias em parceria com Rosa Consuelo, pseudônimo de Fernanda Maria Padilha.
Grão é um livro de poesias sobre o cotidiano e toda a sua complexidade, explorando diversos olhares para o mundo externo e interno que habitamos. Os poemas transitam entre a criticidade e a ironia, o deboche e o sarcasmo, a magnitude da natureza e as belezas e simplicidades dos acontecimentos da vida.


