Leia aqui um poema de "grão", de Gilberto Gonsales:
Grão
Se num descompasso me perdera de mim mesmo
Não vou me enveredar sozinho nesse mar a esmo
Tenho medo de encontrar o que de mim não conheço
Ou a porção de mim por qual não tenho apreço
Pois se me encontrar por todo, não me reconheço
E de pensar que é só o começo...
E nesse mar que mora em mim
Um passeio na imensidão sem fim
Que é maior que terra firme
Que é carne, corpo e estirpe
É um oceano incerto em riste.
Um grão de mim colhe vida
Tempestades e maremotos
Depois se espraia em águas calmas.
Um grão de mim é fogo, terra e ar
Terremotos e ventanias
Cospe raivas e marimbondos
E assenta os pés no chão firme.
Um grão de mim encontra outros grãos
No começo ama e festeja
Depois se cala e se vela
Um grão de mim sente inveja
Se espalha e se revela
Um grão de mim.
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R$ 55,00Preço
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