Leia aqui um trecho de "histórias curtas para mentes inquietas", de Flavia Hossell:
A surpresa ficou suspensa no ar como uma fina parede de vidro. A menininha mais velha dos Montoux foi quem quebrou o silêncio. Entrou correndo a cozinha, chamando pela mãe e parou assustada quando viu um cavalheiro com o qual não estava acostumada. De forma muito delicada escondeu o rostinho envergonhada, o que fez todos rirem. Os quatro sentaram se a mesa. Julian teria um papel fundamental nos planos traçados por madame Loulou. Ele seria o testa de ferro das três mulheres . Ninguém, além delas três sabia sobre a história de Julian. Para todos os efeitos ele seria o cavalheiro cheio de dinheiro e conhecimento que negociaria a compra de fumo e a implementação da fabrica de charutos . Maria iria ensinar sobre o negócio e escolher as melhores oportunidades e como desenvolver a fábrica, Charlote iria verificar e providenciar toda a documentação e autorizações, amparando na leis o sucesso da empreitada e Madame Loulou além de ser a principal investidora seria a fonte dos contatos de Julian com as pessoas certas , além de garantir a saída do produto no mercado.
A excitação era compartilhada e o medo também. Não poderia haver erros ou brechas. A sociedade jamais perdoava qualquer tipo de ousadia vindo de uma mulher , quiçá dessas mulheres.
Os encontros para o bordado continuavam mas agora o que se bordava era a independência. Maria Montoux e Julian Benett passavam diariamente, horas trocando informações sobre o negócio do fumo. Julian precisava saber cada detalhe . A credibilidade era um trunfo do qual não poderiam abrir não. As tardes voavam na companhia um do outro. Logo, Maria voltou a ter cor e Julian momentos de desconcerto e distração. Madame Loulou no entanto parecia mais séria do que de costume, talvez mais triste e passou a faltar a alguns dos encontros alegando mal estar momentâneo.
histórias curtas para mentes inquietas, de flavia hossell
Flavia Hossell, “A escritora do bloco de notas” , assim como ela se denomina, pois tem por hábito escrever no bloco de notas do celular, a qualquer tempo, em qualquer lugar, antes de mais nada é uma leitora ávida. Desde pequena além dos livros , tinha uma mania insistente de ler as pessoas e os cenários a sua volta. A partir de um certo momento, ainda menina começou a escrever sobre como sentia e imaginava o mundo. Eram cadernos e mais cadernos de poesias, pequenos contos e textos. Já na vida adulta usou a escrita como um escoar particular e uma grande brincadeira, que dividia com os amigos e em suas redes socias.
Formada em Educação Física, pela UFRJ, empresária há 18 anos no ramo do pilates e professora de sala de leitura na Rede Municipal do Rio de Janeiro. Flavia em seu livro de estreia, HISTÓRIAS CURTAS PARA MENTES INQUIETAS, apresenta uma coletânea de contos e crônicas nos mais variados estilos. Realidade fantástica, ficção cientifica, romance e suspense, todos como pano de fundo para temas muito humanos como, solidão, amor, amizade, morte , saudade, desejo e religiosidade. As histórias são curtas, intensas e com uma linguagem veloz, assim como a mente e a própria autora.


