Leia aqui um poema de "homem-gaveta", de Richard Plácido:
andar dez passos neutros
visitar de vez em quando a casa
não há como se sentir paralelo às avessas
garantir o matrimônio
Carlos fez como qualquer outro faria
morreu
o desgosto
a cana azeda na boca
os lábios arranhados
Carlos nada fez
nada pôde fazer
sentinelas marcharam no sentido oposto
qualquer que seja a medida ela estará errada
inexatidões de cores
um cachorro morto levanta e dá três passos vacilantes
cai novamente
língua pra fora
perfurada de micoses, balas e sede
a tristeza aguarda
as dimensões seguintes seguirem seu prumo
homem-gaveta, de richard plácido
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