Leia aqui um trecho de "insones fabulações: contos, cantos, contas", de Andre de Lemos Freixo:
- Diga… Que queres? Queres a resposta? Queres saber a verdade? - - - Queres a felicidade? Justiça, talvez?
[…] - Por que me importunas?
Que queres?
Quero a solidão.
Faça disto a tua vontade, então. Diga, aja, faça!
Eu tento.
Não. Tu te iludes! Enquanto teu único querer for iludir-te, não haverá solidão. E sofrerás mais que o devido, na pequenez desta carência e de uma fraqueza vingativa. Ora, componha-te, homem! Buscas elogio? Reconhecimento? Te tornastes mero capacho? Aplicador de receituário? Coletor impotente de dados e seguidor da velha cantilena de “o mestre mandou”? Sois tu modesto e humilde servidor? Não me assusta que procures venenos que anestesiem tua ‘dor’. Seja no fundo de um copo, seja na esperança vaidosa e impotente que nutres, tão profundamente, sobre aqueles que dizes desprezar. Hipócrita! Viva uma dor de verdade, viva-a totalmente, do início ao fim, não essa bobagem sentimentaloide e autocomiserativa!
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