Leia aqui um trecho de "lavoura de muitas covas", de Juliete Oliveira:
De quem é a Terra? No Pará a terra não é definitivamente de quem mora nela! Ela é do latifúndio. [...] No Pará a terra é da União — devoluta. Quando ouço esse termo meus ouvidos voltam-se aos anos oitenta: o Pará era área de segurança nacional e a palavra ‘posseiro’ era proibida, falada quase num sussurro. E então a imagem que a expressão DEVOLUTA deixava ver é exatamente a que o trocadilho aponta, sem nenhuma conotação poética — ‘devo o luto’. O luto de tantas mulheres, mães, filhas, esposas, viúvas.
lavoura de muitas covas, de juliete oliveira
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