Leia aqui um poema de "matéria do quase: corpo, linguagem e permanência", de Amanda Corvell:
A VIDA SECRETA DE UMA MAÇÃ NA FRUTEIRA
Aprendi a medir movimentos.
Um passo a mais custa caro.
Um a menos, também.O corpo calcula antes de agir.
Não é cautela.
É sobrevivência aplicada.Onde outros desperdiçam,
eu invisto precisão.Não há sobra.
Só o essencial permanece.
matéria do quase: corpo, linguagem e permanência, de amanda corvell
Amanda Corvell é enfermeira, mestre em Saúde Coletiva e pesquisadora curitibana. Sua escrita nasce da experiência concreta do corpo como território de negociação, limite e permanência. Após anos dedicados à prática clínica e à pesquisa, voltou-se à literatura como forma de investigação sensível da existência.
Em Matéria do Quase: Corpo, Linguagem e Permanência, explora o corpo não como fragilidade, mas como inteligência estratégica — um sistema vivo que negocia, adapta-se e resiste. Sua linguagem é concisa, filosófica e visceral, tensionando silêncio, tempo e duração.
Atualmente dedica-se à escrita e à pesquisa em direitos humanos.
