Leia aqui um trecho de "meu corpo, sem regras: ensaios e reflexões sobre rebeldia e desejo", de Brunno Elias Ferreira:
Ela percebeu que vivia a própria vida como se estivesse em um palco. Não foi uma percepção progressiva, que estava ruminando em sua consciência ao longo do tempo. Foi como um caminhão desgovernado descendo a rua e atingindo um muro: bum! Minha vida não é minha, pensou ela.
E agora ela precisa continuar vivendo e lidando com essa percepção.
No seu palco a plateia eram as pessoas ao seu redor. Desde o café da manhã que ela fotografava para o Instagram – esperando o coro de "que delícia!" ou “que saudável, parabéns!” – até a escolha da roupa para o trabalho, que dependia inteiramente do que as amigas achariam um "arraso". Ela não dava um passo sem antes calcular o impacto que teria nos outros.
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