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Leia aqui um poema de "meu silêncio, inquietude", de Maurício Batista:

 

Mensageiro

 

eu escrevo

como quem remete cartas

a um eu do futuro.

falando de um amor

que ainda não veio,

uso as palavras

a regar a esperança.

trago algumas sementes

dentro do peito.

sou eu quem faz

fértil o solo.

sou mensageiro do meu destino.

eu escrevo presságios.

levo mensagem de força

ao homem que não veio.

eu escrevo a dor

pra me lembrar da cura.

escrevo a ternura

pra recordar o meu destino.

mapas que me dizem por onde ir.

rotas que vão de encontro

às coisas que eu preciso.

 

eu, mensageiro de mim

meu silêncio, inquietude, de maurício batista

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