Leia aqui um poema de "movimentos", de Daniela Camargo:
Mora em mim
Mora em mim uma anciã
Clara como aurora
Que se torna tarde
Sem aflição.
Mora em mim uma criança
Que brinca na areia
Esquece o tempo e a fome
Adormece sem perceber
E ri sozinha em suas estórias.
Mora em mim um pássaro
Que voa livre e descansa no chão
Sabe a rota sem pensar
E retorna sempre ao seu lugar.
Mora em mim um som
De tempos marcados
Contratempos disformes
Arranques e arremates,
Silencioso movimento.
Mora em mim uma chama
Que mantenho fechada,
Pois com ar queimaria o todo ao redor…
Fera selvagem,
Lava que rompe a terra,
Carbonizando o caminho.
Fogo meu que evaporaria a água.
Mantenho dentro,
Para banhar meus leitos com rios,
E a vida seguir seu curso
Refazendo-se.
Sem incinerar o amor
Com única fagulha de mim…
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