Leia aqui um poema de "nenhuma ilha", de Fel Barros:
BANHO DE SAL
O medo do domingo permanece
Soam sinos para alertar
A passagem da paz
No país da mentira
A Terra grita o nome do imperador
O rapaz de touca vermelha
Mergulha por janelas infinitas
Do outro lado procuro o razoável
Disfarce para a melancolia
Perco-me no marasmo dos sentimentos
Acalentar animais aprisionados
Para dar passagem ao amor
Uma tarde de domingo
Recordo aos 30 anos
Todas as 338 vezes que fui jogado
No muro das paixões
O portão da escola e a calçada vazia
Dizem que o tal amor nos salvará
Espero na minha varanda
Já é noite e o domingo escorre
Sempre amanhece
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nenhuma ilha, de fel barros
Fel Barros é artista-poeta e arte educador, nascido em Niterói, trabalha e desenvolve seus projetos entre Rio de Janeiro e São Paulo. Formado em Artes Visuais, Mestre e atualmente doutorando no Programa de Pós-Graduação da UERJ – PPGARTES. Fez parte do programa de formação “Fundamentação” em Artes da EAV- Parque Lage (2013). A escrita está presente em seus trabalhos artísticos e na poesia cotidiana, trabalha a palavra como elemento de paisagem visual em uma abordagem com temas variados. Foi bolsista no programa de acompanhamento Imersões Poéticas (2019) da Escola sem sítio e do programa de residência artística da Casa da Escada Colorida (2021). Em sua pesquisa visual debruça sobre temas como memória e a Diáspora Nordestina, na busca de recriar espaços ocupados pela ausência do trajeto que trouxe seus familiares até sudeste.
