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Leia aqui um poema de "não há poesia na betoneira", de Rubens Moraes:

 

Genocídio

Um dia aportaram seus navios
Trouxeram consigo pragas
Além de si mesmos.

Dizimaram com doenças
Fogo e armas
Derramaram sobre nossa cultura
O sangue de Cristo
Que por aqui, era pouco conhecido.

Construímos para eles grandes casas
Grandes igrejas
Nos disseram:
“Agora trabalhem”.

Um dia aportaram com seus navios
Trouxeram mais gente, de cor diferente
Amarrados até os dentes
Vinham das costas, do grande continente
E agora pra eles disseram: “trabalhem”
E eles trabalharam.

Morreram
Se revoltaram
Depois tudo
Depois de todo o chão limpo
Estavam livres para morrer de fome.

Um dia aportaram aqui
Em grandes navios
Em longos trilhos
Em longas estradas
Trazendo de todos os lados
Grandes ferramentas.

Um dia instalaram aqui
Grandes indústrias
Máquinas muito ágeis
Máquinas muito caras
Máquinas que matavam.

 

Chamaram pra lá vários famintos
Todos muito livres
Para escolher entre a morte
E a dor do assalariamento
Percorreram as estradas
Os trilhos e os grandes rios.

Se amalgamavam em milhões
Em todos os lugares eram muitos
E agora eles lhes disseram:
“Trabalhem”
E eles trabalharam.

Aportou por aqui em aviões
Cheios de milhões
A arrogância daqueles vilões.

Espalharam frases virulentas
Pegaram a todos sem dó
Aos montes iam morrendo
E eles disseram: “mas não podem parar de trabalhar”
E não terá prevenção
Ou imunização,
Disseram eles:
“Tem que trabalhar”

não há poesia na betoneira, de rubens moraes

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