Leia aqui um poema de "nós que somos terra", de Alana Nunes:
A TERRA NÃO SE PERDE DE SI MESMA
A terra não se perde de si mesma.
Caso se perca
tudo o mais se perde.
Quando a face da vida se abre
o sol não tenta entender,
a lua não é impaciente.
As palavras são miseráveis
e o sol produz sombra também.
A terra não se perde de si mesma
pois sabe uma pena
desperdiçar o erro
sem aprendizado ou diversão.
Da sua tristeza
surgiram as cores do entardecer,
a mística das gaivotas,
o despeito dos martírios.
A verdade possui alma própria
A resposta morre sem amor.
Se a terra se perdesse
ou minimamente duvidasse
seria como a cruz
de grandeza exausta e salvadora
ou como o tempo
cujas dobras impedem
de se por junto ao sol.
Todo essencial é mínimo
e há sempre
um essencial à espreita
oferecendo a justa medida
do que é e do que não é.
O que importa deixa de ser
pois entra na razão
das importâncias
abrindo espaço para
perdições
e tudo mais que, por não ser,
se almeja
nós que somos terra, de alana nunes
Alana Nunes é escritora, professora e amante das palavras de um modo geral. Nascida em Bagé/RS, tem formação em letras e pedagogia, além de mestrado em Ensino de Línguas. Publicou os dois primeiros livros da coleção “Elementos”: Uma Palavra Puxa a Outra (2021) e Queime Essas Palavras (2023), dedicados à água e ao fogo, respectivamente. Além destes, organizou as antologias Fronteiridades (2022) e Dicionário de Palavras Que Sonham (2024). Nós Que Somos Terra é o terceiro livro da coleção Elementos, trazendo a energia da terra através da expressão poética.
Email para contato:: alanaespinosanunes@gmail.com


