Leia aqui um trecho de "o convite", de Michelline Nogueira:
Lembro-me como hoje, tarde de verão, e pontualmente às dezesseis horas e trinta minutos, a sirene do Colégio D. Maria Leopoldina tocava, vários estudantes saindo pelos corredores, felizes por mais um dia de aula concluído. A euforia deles deslizava pelos corredores afora. “Calma, crianças!” gritava o supervisor, claro que sem obter muito sucesso. Quem conseguia conter os ânimos de jovens estudantes depois de uma tarde inteira de estudos?
O supervisor era seu Armando, um homem muito legal; todos no colégio o adoravam. Ele era uma figura muito engraçada, estava sempre pelos corredores nos observando e tentando manter a ordem e o bom funcionamento da escola. Na verdade, ele era o braço direito do diretor e dos professores. E continuava aquela procissão dos estudantes, passos acelerados pelos corredores na intenção da grande porta de saída da escola... a porta para a liberdade.
Oi, Paulo!
Oi, Stenio!
Stenio era o meu grande amigo de infância e de série, mas não de turma. Infelizmente, naquele ano, nos colocaram em salas diferentes. Logo no começo do ano, lembro que foi uma barra; nunca tinha me separado de meu melhor amigo. Os meses se passaram e a gente foi se acostumando com aquela nova realidade. Fizemos novas amizades, mas nunca deixamos de ser bons amigos e, sempre no começo ou no final das aulas, nós nos falávamos, procurando saber como tinha sido o dia um do outro. Lembro que, naquele dia, respondemos a muitas questões de matemática. Sempre duelávamos para ver quem tirava a melhor nota na disciplina. Depois daquela tarde, tudo iria mudar na minha vida. Eu tive que crescer, amadurecer a todo custo. Foi difícil me revestir de homem responsável, sendo ainda tão novo. Eu tinha apenas quatorze anos e sonhava com todas as aventuras possíveis correspondentes a essa idade. Eu queria sair, me divertir com meu melhor amigo, andar de bicicleta e voltar para casa no final do dia.
Naquela mesma noite, eu soube que iria ser pai
