top of page

Leia aqui um poema de "o corpo que a seca dança", de Alyne Castro:

 

Anatomia da Jurema

Dizem que meu corpo é de barro,

mas sou feita de espera e poeira estelar

Minha pele aprendeu com a seca:

é casca, endurecida

para manter a doçura dentro

 

Minha avó não caminhava,

ela plantava passos

Tinha raízes nos calcanhares

e, quando rezava,

não olhava para o céu,

olhava para o chão,

porque sabia que Deus

também mora nas raízes

 

Eu danço com a falta

Se a água não vem da nuvem,

eu a invento no suor.

Se o amor não vem do homem,

eu o teço no bastidor

Sou dual:

a que seca e estala ao meio dia,

e a que, de noite, em segredo,

floresce branca e fria

o corpo que a seca dança, de alyne castro

R$ 50,00Preço
Quantidade
bottom of page