Leia aqui um poema de "o grau poético", de Renato Baalbaki:
Um octogenário de dezesseis anos de idade
Aos dezesseis anos tinha oitenta e sete
E com pouco tempo de vida, desanimara de viver
Não havia se formado, nem casado, nem mesmo tinha profissão
Mas parecia ter vivido tanto, e esse tanto lhes pesava Não tinha filhos, mas parecia já ter netos
E era triste como se já tivesse perdido muitos amigos Aos poucos perdia também a meninice no olhar
Olhava no espelho sua negra face brilhante, suas rugas Também seus cabelos grisalhos, seus poucos cabelos Sua rala barba e o grosso bigode que apararia
Tinha lembranças de seu tempo e muita história pra contar
Mas ninguém lhes ouvia, ninguém se importava com o jovem velho
Na realidade era jovem, não vivera metade de sua vida Dava o parecer que sim, que vivera muito.
Aos dezesseis anos era o jovem mais retraído de seu tempo
Tinha dúvidas em que se formaria, se filhos teria, se sua vida fazia sentido
Um jovem de espírito velho
Privado da liberdade (ou da utópica liberdade) Que dia após dia morre por dentro
Pena que ninguém consegue ver espíritos…
o grau poético, de renato baalbaki
Renato Augusto Baalbaki Lemes, conhecido como Renato Baalbaki, nasceu em Palmas, no interior do Paraná, onde atua como locutor de rádio. Aos 23 anos, concilia a prática profissional na comunicação com a formação acadêmica em Jornalismo, tendo concluído anteriormente o ensino médio integrado ao curso técnico em Agropecuária.
Apaixonado por literatura desde a infância, iniciou sua trajetória na escrita aos 13 anos, dedicando-se especialmente à poesia. Esse vínculo com a palavra escrita se fortaleceu ao longo da adolescência e o levou, aos 17 anos, a idealizar sua primeira obra, O grau poético, que reúne poemas produzidos em diferentes fases de sua vida, mesclando textos da juventude com criações mais recentes.


