Leia aqui um trecho de "o homem intangível", de Rossano Segabinazzi:
O que é a existência senão um conjunto ininterrupto de emoções? Eu adoraria sentir desespero ou tristeza, mas naquele momento só o que eu sentia era indiferença. E para mim, sentir-me indiferente era o mesmo que estar morto.
Liguei o rádio do carro e escutei por quase um minuto inteiro um pastor falar sobre sua percepção de Deus e como funciona sua intervenção em nossas vidas. Não acreditei na quantidade de bobagem. Quando o som de sua voz começou a me causar uma lancinante dor de cabeça, eu desliguei o aparelho e refutei todas as suas opiniões ridículas.
Olhei para o mapa que mantinha a mostra no banco do carona e vi que logo em frente ficava um restaurante de beira de estrada. Eu estava ansioso para ver alguns rostos, para ouvir suas vozes. E mais que isso, eu desejava demais um bife malpassado.
Quando cheguei ao estacionamento do restaurante, só havia outros três carros estacionados. Ótimo, pensei, não terei de esperar muito para comer. Desliguei o carro e deixei-o, com a porta destrancada, como sempre. Era minha forma de dizer ao resto do mundo que eu confiava em sua bondade, e esperava que não me deixassem à deriva na estrada.
